Retratos do imaginário de São Paulo: fotógrafos e personagens






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Emidio Luisi



Embora o ensaio social em fotografia seja um segmento há muito estabelecido no Brasil, em especial a partir da década de 1950, estimulado pela produção em fotojornalismo em revistas como O Cruzeiro e Manchete, a chegada, no começo da década de 1970, da abordagem introduzida pela antropologia visual estimulou ainda mais o setor, enfocando em especial as comunidades urbanas, os contrastes culturais de parcelas da população. Nesse campo, Emidio Luisi, italiano radicado no Brasil, torna-se uma referência por seus diversos trabalhos sobre os descendentes de italianos. Ao mesmo tempo, manteve sua agência, em associação com Rosa Gauditano, e paralelamente realizou algumas das mais extensivas documentações sobre dança, acompanhando toda a carreira do Balé Stagium, e teatro, fotografando o CPT – Centro de Pesquisas Teatrais -, companhia teatral dirigida por Antunes Filho.
Nesta seleção, imagens sobre a presença italiana em especial. Ao lado, retrato do senhor Birello, em 1992, fundador da fábrica de calçados, sediada na Lapa. Abaixo, foto de 1982, registrando profissionais ambulantes, no caso o amolador de facas Annibale Giancola, há mais de 3 décadas em atividade em Perdizes. Ao lado, João Rossi, luthier, com oficina no bairro do Ipiranga.

Camila Butcher



Dedicando-se a um segmento específico e tradicional do retrato - a fotografia de casamento -, Camila Butcher não apenas conseguiu atrair atenção para essas imagens, como colaborou para eliminar preconceitos sobre o gênero, seduzindo novos fotógrafos. Estas imagens de festas, de casamentos a batizados, enfocando muito mais do que a cerimônia, mas a celebração, fazem certamente a ponte entre o grande retrato e a foto instantânea, entre o documental e a representação de momentos carregados de simbologias individuais e coletivas.
Nesta seleção, algumas imagens de preparativos e comemorações de casamento. À direita, Fábio Ermírio de Moraes prepara-se para a cerimônia de seu casamento. Nas imagens menores, primeiro, grupo de convidados no mesmo evento, e, a seguir, uma das imagens mais conhecidas de Camila, um brinde durante outra festa de casamento, realizada no início dos anos 90.

Eduardo Simões



Fotojornalista de origem, atua na década de 1970 através agência F4, um dos marcos na tentativa de estabelecer um campo alternativo de trabalho frente à indústria jornalística brasileira. Participa, ao final dos anos 80, na revista Goodyear, como editor de fotografia, publicação corporativa que se torna um dos veículos mais significativos do período, no que toca à difusão de novos fotógrafos e por possibilitar a produção de ensaios visuais marcantes. Este perfil de editor é sua marca ao longo da última década nas revistas Bravo! e República, em que se cria um espaço privilegiado para o retrato. A presença contínua nas publicações sobre literatura do Instituto Moreira Salles fixaram ainda mais a imagem pública de Eduardo como fotógrafo especializado no gênero. É ainda no foco da literatura que Simões desenvolveu seu ensaio, premiado com bolsa da Vitae, sobre o universo de João Guimarães Rosa, em 1998.
Ao lado, o ator Raul Cortez. Abaixo, o político José Genoíno e o cantor Chico Buarque, imagens realizadas nos anos 90 para área editorial. Nas páginas seguintes, o músico e apresentador João Gordo e o ator Patrício Bisso, do mesmo período.

Márcio Scavone


Fotógrafo publicitário há quase três décadas, vem desenvolvendo uma intensa atividade paralela no segmento do retrato. Em 1992, expõe suas imagens de personalidades realizadas para a revista Vogue Brasil, publicadas na edição Status Symbol. Com retratos regularmente produzidos para editoriais, Scavone tem na revista Carta Capital, com a seção Imagem capital, desde 1993, um espaço privilegiado, fotografando políticos, empresários e personalidades da esfera cultural. Em 1998, Márcio lança o livro E entre a sombra e a luz, em que é possível observar uma produção mais livre. É neste conjunto de imagens mais recente que o fotógrafo parece conciliar seu interesse pelo gênero, com um diálogo com suas referências visuais, em especial marcos da história da fotografia européia do século XIX.
À esquerda, o publicitário José Zaragoza. Nas imagens menores, o bibliófilo José Mindlin e a artista plástica Tomie Ohtake. Nas páginas seguintes, um exemplo de retrato empresarial, com o ex-presidente da Bolsa de Valores, Álvaro Augusto Vidigal, e, por fim, o personal trainer José D’Elia, imagem vigorosa que caracteriza a produção recente de Scavone.

Juan Esteves



Como vários outros profissionais, Esteves desenvolveu boa parte de sua produção mais conhecida de retratos através da atividade regular no campo do fotojornalismo. Esteves atuou também como editor de fotografia na Folha de S. Paulo, onde conquistou e gerou espaço para a realização mais adequada deste gênero fotográfico. Junto com Márcio Scavone e Eduardo Simões, integra o grupo de profissionais mais conhecido pela produção de retratos; mas, no caso de Esteves, o portrait é um meio de dialogar com as personalidades da área cultural, uma forma de embate respeitoso em meio a uma atmosfera de luzes rasantes e meio tons.
Na página ao lado, o cantor Jorge Mautner. Abaixo, o cineasta Walter Hugo Khouri. Em seguida, a escritora Lygia Fagundes Telles e o crítico de literatura Antonio Candido e, ao final, o artista plástico Aldemir Martins.


Bob Wolfenson


Com o lançamento do livro Jardim da luz, em 1996, Bob Wolfenson marca definitivamente em sua carreira o interesse pelo retrato. A própria referência ao local, tradicional ponto de atividade de lambe-lambes, denuncia um tom despretensioso, mas central neste conjunto. Fotógrafo publicitário desde a década de 1970, além de presença regular no debate sobre a inserção cultural da fotografia, Bob evidencia aqui um olhar que, ao invés de contrastar com sua produção regular, harmoniza-se no tratamento formal, na luz, na presença regular do estúdio. Seu interesse pelo retrato parece evidente até mesmo ao longo de sua produção comercial para os mais diversos fins, como um olhar, uma curiosidade pelo humano, que se sobrepõe a outros propósitos.
Estas imagens, produzidas entre 1995 e 2001, trazem, ao lado, o cantor Arnaldo Antunes e, abaixo, os escritores Haroldo e Augusto de Campos. Nas páginas seguintes, o estilista Tufi Duek, o apresentador Jô Soares e, em destaque, o artista plástico José Leonilson.

J. R. Duran



Catalão, radicado no Brasil desde 1970, Duran ocupou muito cedo espaço central na área de fotografia publicitária. Ao mesmo tempo, talvez seja um dos raros nomes do setor com uma imagem que se estende para círculos maiores do grande público, através de seus ensaios com nus para revistas masculinas e de comportamento. Este aspecto não implicou em redução ou em uma adequação de suas imagens a um formato menor. Associadas a uma ironia sempre presente, estas características parecem resultar, no que interessa ao tema do retrato, num jogo de sedução e oferecimento, terreno em que o produtor de imagens contemporâneo – o imagemaker – atua. Ao contrário de outros fotógrafos que parecem buscar uma revelação de seus “modelos”, uma comunicação, os personagens de Duran parecem encontrar um terreno acolhedor para em sentido inverso, mais do que exibirem-se, instigar-nos.
Nestas imagens recentes, em destaque, a apresentadora Fabiana Saba. Nas páginas seguintes, a modelo Giane Albertoni e a apresentadora Adriane Galisteu.


Cristiano



Integrando uma geração mais recente de profissionais, Cristiano apresenta desde o início de sua produção - à maneira de outro fotógrafo como Miro, do qual foi assistente - um estilo, um resultado visual consolidado. Diversamente do grupo de fotógrafos de moda que ajudaram a estabelecer o segmento entre nós na década de 1960, como Otto Stupakoff, ou nas seguintes como Miro e Trípoli, Bob e Duran, esta nova geração começou a atuar num campo melhor estruturado, mais agressivo e exigente. As imagens realizadas por Cristiano, em especial no âmbito da moda masculina, em sintonia com a produção contemporânea, têm uma particularidade, de modo parecido com Duran, mas à sua maneira, de permitir que estes personagens “apresentem-se” à vontade, neste caso aparentemente “desarmados”, às vezes quase lívidos, mas sempre a nos mirar.
A imagem abaixo do modelo Fernando Bicudo, realizada para o catálogo da coleção de verão 1999-2000, da grife Renato Loureiro, com styling de Paulo Martinez, é um ensaio marcante em que se trabalha na situação básica do retrato presente nos cartes-de-visite do início do século. Ao lado, o modelo Gabriel Martinez. Nas páginas seguintes, imagens para editorial da revista Sportswear, de julho de 2000, com styling de Kato Pollack, apresentando os modelos Silvana Schneider e Wladimir.

Thelma Vilas Boas


Um traço revelador de uma tendência surgida nos anos 90, incorporada em especial pela fotografia de moda, é a vertente comportamental, da busca de referências novas a partir de outros circuitos. Este aspecto, que surge de forma mais contundente em alguns profissionais, marca, aparentemente de modo indelével, parte da produção de Thelma Vilas Boas. O surgimento de veículos alternativos no segmento, como o “magazine de luxo” On Speed, iniciativa de Jorge Morábito e Zeca Gutierrez, abriu espaços criativos para fotógrafos como Cristiano, Vilas Boas e Claudia Guimarães.
As imagens abaixo, do catálogo Família Vício, da coleção verão 1999-2000, da marca Vício, com styling de César Fassina, remetem ao retrato instantâneo, do dia-a-dia familiar, apresentado porém de forma inovadora numa longa seqüência interligada, como um travelling cinematográfico, narrando desde a chegada de visitantes até a refeição em família. Ao lado, a modelo Jeisa Chiminazzo, em editorial para a revista Big, especial sobre o Brasil, publicada em 1999. Nas páginas seguintes, imagem de abertura do editorial A sorte de ser eu mesma, um ensaio com auto-retratos para o segundo número da revista 55 e, finalmente, a modelo Mariana Dias, no editorial Sufoco, com styling de César Fassina, para On Speed, de janeiro de 2000.

Claudia Jaguaribe



Atuando até o final dos anos 80 no Rio de Janeiro, no segmento de moda, Claudia manteve uma produção pessoal contínua, associada à edição regular de livros fotográficos, como Cidades, em 1993, tema recorrente em sua obra, ou o ensaio, em forma de fotonovela, Quem você pensa que ela é?, de 1995. No ano seguinte, expõe em Olimpíadas: atletas brasileiros uma primeira versão da série de retratos sobre esportistas brasileiros. Estas imagens foram reunidas em 1999 no livro Atletas do Brasil, editadas com vigor pela fotógrafa. Neste período, na segunda metade da década de 1990, Claudia mantém uma presença regular no circuito de arte mais experimental com séries de retratos, onde exercita ora a intervenção física sobre as matrizes, recortando e sobrepondo negativos, ora a fusão de imagens, gerando retratos compósitos.
Imagens exemplares da intervenção sobre o retrato, onde ainda é possível distinguir o retratado ou a fusão de traços de diferentes pessoas, apresentadas na série Retratos anônimos, de 1997. Ao lado, em destaque, imagem da série, em que utiliza fusões a partir de retrato de sua assistente Genilda Soares da Silva. Abaixo, da mesma série, a fotógrafa Luciana Napchan. Nas páginas seguintes, a atriz Xuxa Lopes e o fotógrafo Eli Sudbrack.

Claudio Elisabetsky



Entre um misto de referências pop e roqueira, a presença de Elisabetsky no circuito expositivo tem sido marcada nas duas últimas décadas pelo caráter provocativo, quase único. Não é possível esquecer a fotografia em close de um preservativo, no início dos anos 90, quando o questionamento de novas exigências do comportamento atual se impunha, nem outra imagem muito recorrente do close da boca com dentes metálicos de integrante da banda norte-americana Public Enemy. Os retratos de artistas e personalidades realizados na última década, a serem reunidos em livro - mais um projeto inédito entre vários outros de uma geração de profissionais paulistanos -, constituem um conjunto de imagens de recursos simples, mas que resultam numa seqüência vigorosa. Simples, no uso de closes extremos, recortes radicais, desfoques, contrastes e saturação de cor, parecendo, nesse desejo de chegar cada vez mais próximo, apontar a angústia de descobrir e revelar o outro, nossos parceiros.
O ator e “garoto propaganda” Carlos Moreno, em destaque, ao lado. Abaixo, o sertanista Orlando Villas Boas. Nas últimas páginas, os estilistas de acessórios Marcos e Rudy e a cantora Daúde.

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Impresso em: 23.10.2015

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