Globalization: The Human Consequences






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Zygmunt Bauman

Globalização:

As conseqüências humanas

Tradução:

Marcus Penchel

Jorge Zahar Editor

Rio de Janeiro
1999

Título original:

Globalization: The Human Consequences

Tradução autorizada da primeira edição inglesa

publicada em 1998 por Polity Press,

em associação com Blackwell Publishers,

de Cambridge/Oxford, Inglaterra

Copyright © 1998, Zygmunt Bauman

Copyright © 1999 da edição brasileira:

Jorge Zahar Editor Ltda.

rua México 31 sobreloja

20031-144 Rio de Janeiro, RJ

te!.: (21) 2240-0226 / fax: (21) 2262-5123

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Todos os direitos reservados.
A reprodução não-autorizada desta publicação, no todo ou em parte, constitui violação de direitos autorais. (Lei 9.610/98)

Capa: Carol Sá
CIP-Brasil. Catalogação-na-fonte Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ.
Bauman, Zygmunt, 1925-

Globalização: as conseqüências humanas / Zygmunt Bauman; tradução Marcus Penchel. — Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1999

Tradução de: Globalization: the human consequences

ISBN 85-7110-495-6

1. Pós-modernismo — Aspectos sociais. 2. Internacionalismo. 3. Relações econômicas internacionais. 4. Mobilidade social. I. Título.
Sumário

Introdução 7

1 - Tempo e classe 13

Proprietários ausentes, marco II • Liberdade de movimento e autoconstituição das sociedades • Nova velocidade, nova polarização

2 - Guerras espaciais: informe de carreira 34

A batalha dos mapas • Do mapeamento do espaço à espacialização dos mapas • Agorafobia e o renascimento da localidade • Existe vida depois do Panóptico?

3 - Depois da Nação-estado, o quê? 63

Universalizando... ou sendo globalizado? • A nova expropriação: desta vez, do Estado • A hierarquia global da mobilidade

4 - Turistas e vagabundos 85

Ser consumidor numa sociedade de consumo • Movemo-nos divididos • Movendo-se no mundo x o mundo que se move • Unidos, para o melhor ou para o pior

5 - Lei global, ordens locais 111

Fábricas de imobilidade • Prisões na idade da pós-correção • Segurança: meio palpável, fim ilusório • O fora de ordem

Notas 137
Introdução

A “globalização” está na ordem do dia; uma palavra da moda que se transforma rapidamente em um lema, uma encantação mágica, uma senha capaz de abrir as portas de todos os mistérios presentes e futuros. Para alguns, “globalização” é o que devemos fazer se quisermos ser felizes; para outros, é a causa da nossa infelicidade. Para todos, porém, “globalização” é o destino irremediável do mundo, um processo irreversível; é também um processo que nos afeta a todos na mesma medida e da mesma maneira. Estamos todos sendo “globalizados” — e isso significa basicamente o mesmo para todos.

Todas as palavras da moda tendem a um mesmo destino: quanto mais experiências pretendem explicar, mais opacas se tornam. Quanto mais numerosas as verdades ortodoxas que desalojam e superam, mais rápido se tornam cânones inquestionáveis. As práticas humanas que o conceito tentou originalmente captar saem do alcance da vista e são agora os “fatos materiais”, a qualidade do “mundo lá fora” que o termo parece “esclarecer” e que ele invoca para reivindicar sua própria imunidade ao questionamento. A “globalização” não é exceção à regra.

Este livro é uma tentativa de mostrar que no fenômeno da globalização há mais coisas do que pode o olho apreender; revelando as raízes e conseqüências sociais do processo globaliza-dor, ele tentará dissipar um pouco da névoa que cerca esse termo que pretende trazer clareza à condição humana atual.

A expressão “compressão tempo/espaço” encerra a multifacetada transformação em curso dos parâmetros da condição humana. Assim que examinarmos as causas e conseqüências sociais dessa compressão, ficará evidente que os processos globalizadores

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não têm a unidade de efeitos que se supõe comumente. Os usos do tempo e do espaço são acentuadamente diferenciados e diferenciadores. A globalização tanto divide como une; divide enquanto une — e as causas da divisão são idênticas às que promovem a uniformidade do globo. Junto com as dimensões planetárias dos negócios, das finanças, do comércio e do fluxo de informação, é colocado em movimento um processo “localizador”, de fixação no espaço. Conjuntamente, os dois processos intimamente relacionados diferenciam nitidamente as condições existências de populações inteiras e de vários segmentos de cada população. O que para alguns parece globalização, para outros significa localização; o que para alguns é sinalização de liberdade, para muitos outros é um destino indesejado e cruel. A mobilidade galga ao mais alto nível dentre os valores cobiçados — e a liberdade de movimentos, uma mercadoria sempre escassa e distribuída de forma desigual, logo se torna o principal fator estratificador de nossos tardios tempos modernos ou pós-modernos.

Todos nós estamos, a contragosto, por desígnio ou à revelia, em movimento. Estamos em movimento mesmo que fisicamente estejamos imóveis: a imobilidade não é uma opção realista num mundo em permanente mudança. E no entanto os efeitos dessa nova condição são radicalmente desiguais. Alguns de nós tornam-se plena e verdadeiramente “globais”; alguns se fixam na sua “localidade” — transe que não é nem agradável nem suportável num mundo em que os “globais” dão o tom e fazem as regras do jogo da vida.

Ser local num mundo globalizado é sinal de privação e degradação social. Os desconfortos da existência localizada compõem-se do fato de que, com os espaços públicos removidos para além do alcance da vida localizada, as localidades estão perdendo a capacidade de gerar e negociar sentidos e se tornam cada vez mais dependentes de ações que dão e interpretam sentidos, ações que elas não controlam — chega dos sonhos e consolos comunitaristas dos intelectuais globalizados.
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Uma parte integrante dos processos de globalização é a progressiva segregação espacial, a progressiva separação e exclusão. As tendências neotribais e fundamentalistas, que refletem e formulam a experiência das pessoas na ponta receptora da globalização, são fruto tão legítimo da globalização quanto a “hibridização” amplamente aclamada da alta cultura — a alta cultura globalizada. Uma causa específica de preocupação é a progressiva ruptura de comunicação entre as elites extraterritoriais cada vez mais globais e o restante da população, cada vez mais “localizada”. Os centros de produção de significado e valor são hoje extraterritoriais e emancipados de restrições locais — o que não se aplica, porém, à condição humana, à qual esses valores e significados devem informar e dar sentido.

Com a liberdade de movimento no centro, a atual polarização tem muitas dimensões; o novo centro dá um novo verniz às distinções tradicionais entre ricos e pobres, nômades e sedentários, “normais” e anormais ou à margem da lei. Exatamente como essas várias dimensões da polaridade se entrelaçam e influenciam mutuamente é outro problema complexo que este livro tenta desvendar.

O primeiro capítulo considera a ligação entre a natureza historicamente mutável do tempo e do espaço e o padrão e a escala de organização social — e particularmente os efeitos da atual compressão tempo/espaço na estruturação das sociedades e comunidades planetárias e territoriais. Um dos efeitos examinados é a nova versão de “proprietário ausente” — a independência recém-adquirida das elites globais face às unidades territorialmente confinadas de poder político e cultural e a conseqüente perda de poder dessas unidades. O impacto da separação entre os dois cenários nos quais se localizam respectivamente as partes de “cima” e de “baixo” da nova hierarquia é remontado à organização mutável do espaço e ao significado mutável de “vizinhança” na metrópole contemporânea.

Os estágios sucessivos das guerras modernas pelo direito de definir e impor o significado do espaço comum constituem o

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tema do segundo capítulo. As aventuras pregressas de planejamento urbano total, assim como as tendências contemporâneas à fragmentação do plano e à construção da exclusão, são analisadas à luz disso. Finalmente são examinados o destino histórico do Panóptico como antigo modelo moderno favorito de controle social e, particularmente, sua atual irrelevância e morte gradativa.

O terceiro capítulo trata das perspectivas da soberania política — particularmente da autoconstituição e autogoverno de comunidades nacionais e, de modo mais geral, territoriais sob as condições da economia, finanças e informação globalizadas. No centro da atenção, a crescente discrepância de escala entre o reino da tomada de decisões institucionalizada e o universo no qual os recursos necessários para as decisões e sua aplicação são produzidos, distribuídos, apropriados e utilizados; em particular, os efeitos demolidores da globalização sobre a capacidade decisória dos governos estatais — esses grandes centros ainda não substituídos de efetivo controle social na maior parte da história moderna.

O quarto capítulo avalia as conseqüências culturais das transformações acima mencionadas. Postula-se que o seu efeito geral é a bifurcação e polarização da experiência humana, com símbolos culturais comuns servindo a duas interpretações acentuadamente distintas. “Estar em movimento” tem um sentido radicalmente diferente, oposto, para os que estão no alto e os que estão embaixo na nova hierarquia, com o grosso da população — a “nova classe média” que oscila entre os dois extremos — suportando o impacto dessa oposição e sofrendo em conseqüência uma aguda incerteza existencial, ansiedade e medo. Argumentamos que a necessidade de mitigar esses medos e neutralizar o potencial descontentamento que carregam é, por sua vez, um poderoso fator para o aumento da polarização dos dois significados de mobilidade.

O último capítulo explora as expressões extremas dessa polarização: a tendência atual de criminalizar casos que não se adequam

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à norma idealizada e o papel desempenhado pela criminalização para compensar os desconfortes da “vida em movimento” tornando ainda mais odiosa e repulsiva a imagem da realidade da vida alternativa, a vida da imobilidade. A complexa questão da insegurança existencial colocada pelo processo de globalização tende a se reduzir à questão aparentemente direta da “lei e da ordem”. Nesse processo, as preocupações com a “segurança”, o mais das vezes reduzidas à preocupação única com a segurança do corpo e dos bens pessoais, são “sobrecarregadas” de ansiedades geradas por outras dimensões cruciais da existência atual — a insegurança e a incerteza.

As teses do livro não eqüivalem a uma declaração política. A intenção do autor foi produzir um texto para discussão. Faz muito mais perguntas do que dá respostas e não chega a nenhuma previsão das conseqüências futuras das tendências atuais. E no entanto — como colocou Cornelius Castoriadis — o problema da condição contemporânea de nossa civilização moderna é que ela parou de questionar-se. Não formular certas questões é extremamente perigoso, mais do que deixar de responder às questões que já figuram na agenda oficial; ao passo que responder o tipo errado de questões com freqüência ajuda a desviar os olhos das questões realmente importantes. O preço do silêncio é pago na dura moeda corrente do sofrimento humano. Fazer as perguntas certas constitui, afinal, toda a diferença entre sina e destino, entre andar à deriva e viajar. Questionar as premissas supostamente inquestionáveis do nosso modo de vida é provavelmente o serviço mais urgente que devemos prestar aos nossos companheiros humanos e a nós mesmos. Este livro é, antes e acima de tudo, um exercício de formulação de questões e de estímulo ao questionamento — sem a pretensão de estar formulando as questões certas, todas as questões certas e, o mais importante, de estar levantando todas as questões já formuladas.

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Tempo e classe

“A companhia pertence às pessoas que nela investem — não aos seus empregados, fornecedores ou à localidade em que se situa.”1 Foi assim que Albert J. Dunlap, o célebre “racionalizador” da empresa moderna (um dépeceur — um “açougueiro”, um “es-quartejador” — na maliciosa mas precisa definição do sociólogo Denis Duelos, do Centro Nacional de Pesquisas Sociais da França)2 resumiu seu credo no autocongratulante relato de suas atividades que a Times Books publicou para esclarecimento e edificação de todos os que buscam o progresso econômico.

O que Dunlap tinha em mente não era, naturalmente, a simples questão de “pertencer” como sendo apenas mais um nome para a questão puramente legal da propriedade, dificilmente contestada e menos ainda necessitada de reafirmação — quanto mais de uma reafirmação tão enfática. O que ele tinha em mente era, sobretudo, o que o resto da frase implicava: que os empregados, os fornecedores e os porta-vozes da comunidade não têm voz nas decisões que os investidores podem tomar; e que os verdadeiros tomadores de decisão, as “pessoas que investem”, têm o direito de descartar, de declarar irrelevante e inválido qualquer postulado que os demais possam fazer sobre a maneira como elas dirigem a companhia.

Assinalemos que a mensagem de Dunlap não é uma declaração de intenções, mas uma afirmação de fato. Dunlap tem como certo que o princípio aí formulado passou por todos os testes que a realidade econômica, política, social ou qualquer outra do nosso tempo estabeleceu ou considera adequados para examinar sua viabilidade. A essa altura tal princípio faz parte da família de verdades auto-evidentes que servem para explicar o mundo,

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sem precisarem elas mesmas de explicação; que ajudam a afirmar coisas sobre o mundo sem serem mais vistas elas mesmas como afirmações, quanto mais objetos de discussão e argumentação.

Houve época (dir-se-ia “não muito tempo atrás”, se não fosse pelo alcance cada vez mais reduzido da atenção coletiva, que torna mesmo uma semana não apenas um longo período de tempo em política como um período excessivamente longo na vida da memória humana) em que a proclamação de Dunlap não pareceria de forma alguma óbvia, quando teria soado mais como um grito de guerra ou um informe de batalha. Nos primeiros anos da guerra de aniquilação movida por Margaret Thatcher contra o autogoverno local, um empresário atrás do outro sentiu necessidade de subir às tribunas da Conferência Anual do Partido Conservador para martelar repetidas vezes uma mensagem que talvez achassem necessário martelar porque soava estranha e bizarra para ouvidos ainda não sintonizados: a mensagem de que as companhias pagariam alegremente os impostos locais para financiar a construção de estradas ou os reparos na rede de esgotos de que necessitavam, mas que não viam razão de pagar pela manutenção dos desempregados, inválidos e outros refugos humanos locais, por cuja sina não se sentiam responsáveis nem assumiam qualquer obrigação. Mas aqueles eram os anos iniciais da guerra que foi ganha só um quarto de século depois, à época em que Dunlap ditou o seu credo, que com razão podia esperar o apoio de todo ouvinte.

Não há muito por que debater se essa guerra foi tramada maldosa e sub-repticiamente nas desenfumaçadas salas de reuniões das empresas ou se a necessidade da ação bélica afligiu insuspeitos líderes pacifistas da indústria com mudanças produzidas por uma mescla de forças misteriosas da nova tecnologia e da nova competitividade global; se foi uma guerra planejada de antemão, pontualmente declarada e com seus alvos claramente definidos, ou se não passou de uma série de ações bélicas esparsas e no geral imprevistas, cada uma gerada por causas
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próprias. Seja qual for o caso (há bons argumentos para cada lado, mas pode muito bem ser que os dois relatos apenas pareçam competir um com o outro), é bem provável que o último quarto deste século passe à história como o da Grande Guerra de Independência em relação ao Espaço. O que aconteceu no curso dessa guerra foi um consistente e inexorável deslocamento dos centros de decisões, junto com os cálculos que baseiam as decisões tomadas por esses centros, livres de restrições territoriais — as restrições da localidade.
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