Experiências Psíquicas Além da Cortina de Ferro




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Sheila Ostrander - Lynn Schroeder
Experiências Psíquicas Além da Cortina de Ferro
Título do original inglês

Psychic Discoveries Behind The Iron Curtain


Eugène Bodin - Ponto Sobre Touques

Conteúdo resumido
Assuntos abordados na obra: Experiências Psíquicas, Médiuns, Cibernética, Rabdomancia, Fotografia Kirliana, Curandeiros Populares, Xamãs, Controle da Mente, Sugestologia, Psicotrônica.

Sumário

Introdução / 05

Agradecimentos /14

Prólogo /17
I – Rússia / 21
I. "Uma charada envolta num enigma"

2. Karl Nikolaiev - Médium autodidata

3. Elo da mente, elo do corpo

4. Wolf Messing, o médium testado por Stalin

5. Cortinas de fumaça políticas e a parapsicologia

6. Terão os soviéticos encontrado o segredo da mente sobre a matéria?

7. Espaço interno e espaço externo

8. Óvnis e Psi. procurando o Messias cósmico

9. O impacto telepático

10. Que é o que nos faz médiuns?

- emissor telepático - o médium esquecido?

- desenvolvendo a capacidade psíquica

- astrologia - ou biologia cósmica?

- A ESP pode ser interceptada?

11. Dos animais à cibernética: a procura de uma teoria do Psi

12. Reencarnação artificial

13. O tempo – nova fronteira da mente

14. Visão sem olhos

15. Rabdomancia: da "varinha mágica" ao "B.P.E."

16. Fotografia Kirliana - retratos da aura?

17. A ciência sonda o corpo energético

18 - O corpo energético e a ESP

- Cura

- O corpo energético e a acupuntura

- A acupuntura, a telepatia e o corpo bioplasmático

- Pontos que nos tornam médiuns?

- A aura, o corpo energético e as plantas

- Uma janela aberta para o desconhecido

19. Uma feiticeira soviética prediz

- Curadores populares

- Uma estufa sobrenatural

- Pode um jovem russo tendo apenas a ESP...?

- Os xamãs e a dança do sobrenatural

- A alma mística da Rússia

20. Estamos empenhados numa corrida de ESP com Rússia?

- Espionagem, ou arma de guerra

- Existem implicações religiosas na parapsicologia soviética?

- Interferência política

- Estados Unidos versus Rússia: um cotejo psíquico
II – Bulgária / 335
21. Vanga Dimitrova, pitonisa búlgara

22. Centro de controle da mente

- Sugestologia

- A cura pelo pensamento

- Parapsicologia: ensinando os cegos a ver

- Os poderes supernormais da mente revolucionam a educação

- explorando o Psi
III – Tchecoslováquia / 388
23. A vida psíquica da Tchecoslováquia

- Alquimia

- Psicotrônica

- Pesquisa da Reencarnação

- Bretislav Kafka, parapsicologista pioneiro

24. O Dr. Milan Ryzl, criador de médiuns

25. Pavel Stepanek, uma resposta para os céticos?

26. Controle astrológico da natalidade

27. O poder das pirâmides e a charada das lâminas de barbear

28. Geradores psicotrônicos - maquinas psíquicas?

- O segredo está na forma

- Uma visita ao Merlin Tcheco

29. Imagem, energia, potencial

Apêndice (A,B,C,D)

Bibliografia Parcial e Referência


INTRODUÇÃO

Provavelmente a coisa mais exasperante - tanto para os autores quanto para os leitores - em qualquer obra publicada, é que uma introdução se transforme em discussão crítica. O prefácio e a parte em que os autores podem expressar livremente as suas opiniões sobre quaisquer assuntos irritantes propostos pelos editores; e o epílogo é à parte em que podem fazer uma observação final aos leitores. Os críticos deveriam ficar fora disso e ir cantar em outra freguesia. Uma introdução, mormente quando escrita por uma pessoa que não seja o autor (ou autores), deveria, pelo menos na minha opinião, oferecer apenas alguma tentativa de acrescentamento do tema geral do livro; trazendo-lhe, talvez, observações pertinentes e suplementares, visto que, numa introdução, se pode dizer muita coisa que os autores não puderam dizer - ou não se permitiu que dissessem - no corpo do texto. Por isso mesmo, passarei a oferecer algumas dessas observações complementares, e talvez impertinentes, para a possível edificação dos leitores.

Em primeiro lugar, é preciso que fique claramente entendido que este livro não tem relação alguma com o que quer que seja "psíquico". O emprego dessa palavra no título deveria antes significar "assuntos que aprendemos a chamarem psíquicos". Não obstante, a escolha do título é perfeitamente legítima, por dois motivos. Primeiro, atrairá grande número de leitores que, de outro modo, nem sequer olhariam Para ele; e, segundo, porque pode prestar excelente serviço esclarecendo toda essa absurda confusão semântica.

Comecemos consultando os dicionários, que são sempre o melhor ponto de partida quando se trata de alguma coisa a cujo respeito podem surgir dúvidas semânticas; e como este é um livro norte americano, começaremos compulsando primeiro o bom e Webster. Nele encontramos a palavra psíquico assim definida:

"1. Da ou relativo à psique." Algumas linhas atrás encontramos a palavra psique definida como "(a) Formosa princesa da mitologia clássica, amada por Cupido. (b) Alma, Eu; também Mente." Em seguida, Webster continua definindo psíquico:

"2. Que está fora da esfera da ciência ou dos conhecimentos físicos; imaterial, moral ou espiritual em sua origem ou força.

3. Sensível a forças e influências não físicas ou sobrenaturais." (O grifo é meu.) O dicionário de Oxford, mais simples e mais direto, é muito mais sucinto. Diz apenas: "Força não física que, segundo se presume, explica os fenômenos espiritualístico".

Primeiro que tudo, tentemos deslindar a semântica. O leitor notará que a mente, a moral, o sobrenatural, o espiritual e até o espiritualístico (que é uma coisa inteiramente diversa do que a maioria dos dicionários esclarece) são envolvidos no assunto. Entretanto, não se faz menção alguma das duas epígrafes sob as quais esses assuntos são comuns e popularmente classificados em nossa língua - a saber, Misticismo ou o Oculto. (*) Portanto, muito bem: o "psíquico" se refere à mente, à alma, à moral, ao sobrenatural (seja isso o que for), aos assuntos espirituais e religiosos, e ao espiritualístico - significando, como se deve presumir, o espiritualismo. O Espiritismo e o Animismo parecem ter sido ignorados.

(*) Do ponto de vista da semântica, Oculto significa, única e exclusivamente, "escondido".

Ora, se não podemos enfiar nos dicionários, em que podemos confiar nesta época moderna, complexas, tecnológicas, que se baseia principalmente na comunicação, a qual, por sua vez, se baseia na semântica? O único meio de comunicação precisa que possuímos funda-se na fala, na palavra escrita, ou na interpretação binomial que delas faz o computador. (Refiro-me à comunicação fatual e não aos meios emocionais, como o sexo, a música, a dança e outras artes.) Daí que, acima de tudo, precisemos esclarecer os fatos e que, para fazê-lo, hajamos mister descobrir precisamente o de que estão falando as outras pessoas. É muito interessante notar que nem mesmo o maior dicionário, nem mesmo o vasto Oxford de muitos volumes faz referência a um item sequer deste livro sob qualquer epígrafe de psíquico. E quais são esses itens?

Numa rápida enumeração, encontramos os seguintes: Telepatia mental; Hipnotismo; Cura pela Fé; Precognição; Psicocinesia; Auras em torno de plantas e animais; Controle do cérebro; Vigilância da mente; Astrologia; Levitação; Visão sem vista - isto é, sem olhos; Rabdomancia; Acupuntura; Feitiçaria, Profecia; Alquimia, Psicotrônica; e o que ingenuamente denominamos "ESP" (percepção extra-sensorial).

Peço agora ao leitor que preste atenção numa coisa. Estes são precisamente os itens que o ocidental comum confessará que constituem o âmago do que ele denomina "o psíquico". Além disso, muito embora possa admitir a inclusão de outros itens nessa categoria, como o espiritualismo, e possivelmente até o misticismo - se conhecer a diferença entre os dois ou tiver aprendido a verdadeira significação dessas palavras - se tentarmos enfiar-lhe religião à força na cabeça dentro desse terreno, ele provavelmente se sentirá insultado, e passará a insultar, num evidente descontrole mental. Por quê? Porque há séculos lhe tem sido ensinado que a existência está claramente dividida em três partes: o Espiritual, a saber, a religião e os assuntos correlatos, além das artes talvez, se é que ele, algum dia, chegou a pensar nelas; o Científico, o que, para o ocidental, significa principalmente a tecnologia, isto é, apertar botões ou lavar garrafas; e, terceiro, tudo o que não se inclui nas duas categorias anteriores. Esta última costumava ser chamada metafísica, mas agora é simplesmente denominado “psíquico". O resultado dessa doutrinação é que nós, do "Ocidente" - desde os cientistas até os imbecis - parecemos não ter feito uso dos dicionários e, desse modo, deixamos de compreender que estamos empregando essa palavra para abranger dois conceitos totalmente diversos e quase diametralmente opostos.

Pela mesma razão, vemo-nos num estado semelhante de confusão no tocante às palavras "ciência" e "cientista". Usamos a primeira para abranger não só a ciência básica, que os dicionários definem como a busca do conhecimento, mas também a ciência aplicada, ou tecnologia, que diz respeito à pesquisa. Da mesma forma utilizamos a palavra "cientista" para abranger os que se dedicam a esses dois tipos de atividades. Entretanto, os que se consagram à ciência básica realmente são filósofos, e é muito animador observar que a expressão "cientistas filosóficos" está começando a ser adotado pelo uso comum. Igualmente agradável é encontrar o título "Ciência e Tecnologia".

"Ciência aplicada" é uma boa expressão e diz claramente o que quer dizer mas, se falarmos num "cientista aplicado", pareceremos estar aludindo a um coitado qualquer com funções muito semelhantes às de uma simples chave de fenda. Na realidade, é exatamente isso o que ele é, de modo que a polidez nos impõe que o dignifiquemos com o título bem mais pomposo de tecnologista. De mais a mais, isso o relaciona com os técnicos, a cuja irmandade ele pertence.

O ocidental comum - e continuarei a enfatizar essa expressão qualificativa - junta tudo o que não aprendeu a definir como espiritual ou científico numa grande cesta, que depois corta em pedacinhos para ajustar às suas preferências. Faz uns dois séculos que lhe dizem que tudo o que a ciência (pragmática), ou a religião (espiritual) não podem explicar deve ser incluído nessa categoria. E foi por causa disso que surgiram tantas concepções errôneas. Parece pouquíssimo provável, por exemplo, que a lei venha a tornar-se, um dia, inteiramente científica, ou a arte puramente espiritual, ao passo que assuntos como a política desafiam qualquer classificação. Não obstante, todas essas matérias perturbadoras exibem aspectos tecnológicos, e pode-se-lhes até conceder qualidades científicas e espirituais, de sorte que a pessoa comum as classifica com certa facilidade. Quando, porém, surgem assuntos que não parecem corresponder a uma explanação pragmática ou espiritual, costuma-se simplesmente negar que existam, até como problemas. São os assuntos que outrora se amontoavam sob o nome de metafísica e que agora se chamam psíquicos.

A velha metafísica - que, a propósito, significava apenas as coisas não tratadas pela chamada física aristotélica - também se divide claramente em duas partes distintas, uma criptofísica e outra cripto-espiritual ("cripto" quer dizer simplesmente "oculto"); em outras palavras, os itens que ainda não foram compreendidos nem explicados satisfatoriamente para a nossa lógica atual. Conquanto ninguém possa negar a existência da segunda categoria, esses assuntos ainda não pertencem ao domínio do que chamamos ciência, mas à religião e ao misticismo. Todos os que se incluem na primeira categoria, por outro lado, positivamente não podem ser negados e são incluídos nesse domínio.

E é precisamente disso que trata este livro.

Diferentes do que os dicionários classificam como "psíquico", e diametralmente opostos a ele, todos os itens discutidos neste livro são, em todos os sentidos, não somente suscetíveis de observação científica, mas também de investigação tecnológica. E o que é mais, os mencionados itens, como se vê por este livro, foram assim investigados na chamada zona russa. Mas nós, do Ocidente, ainda não compreendemos esse fato.

Os nossos cientistas e tecnologistas oficiais sabem disso há muito tempo, mas o público, de um modo geral, não sabe, e a imprensa e os demais publicistas simplesmente se recusam a acreditar e persistem em referir os fatos correlatos em tom maldoso e faceto. Se isto se faz em decorrência de instruções especiais, como tantos o afirmam, ou se deve apenas à falta de instrução, ninguém sabe; o resultado, contudo, tem sido uma cristalização dessa estúpida atitude e o envolvimento de toda a nossa concepção numa espécie de carapaça protetora de descrença. De mais a mais, o pior aspecto dessa estupidez de massa (ou de mentira deliberada) é a inclusão desses assuntos no que os dicionários definem como o "psíquico".

A principal dificuldade, naturalmente, como eu disse no princípio, reside em que não temos uma palavra que todos aceitem para designar essa classe de assuntos; se bem que, na verdade, tenhamos uma excelente que, infelizmente, ainda não foi dicionarizada. A palavra, naturalmente, é "Forteana", mas não direi mais nada sobre o assunto por enquanto. Deveríamos, antes, elucidar outro aspecto de toda essa história, que é igualmente pertinente; a saber, onde foram levadas a efeito as pesquisas das autoras.

Este é o novo conceito de "Ocidente", hoje tão querido dos autores políticos. A despeito do seu emprego quase universal, também não obteve ingresso nos dicionários; embora nem os estudiosos dos assuntos internacionais pareçam ter a mais remota noção de como definir geograficamente o termo. O mundo dos homens está hoje dividido em oito blocos principais. Esses blocos são basicamente geográficos, mas a vasta maioria dos habitantes humanos de cada um deles forma uma compacta maioria étnica. Esses blocos são: (1) Eurásia Ocidental mais a América do Norte, (2) Eurásia Oriental, ou seja, o domínio eslavo, mais a Sibéria, (3) Oriente Próximo, que é o mundo muçulmano, do Marrocos ao Paquistão Ocidental, que limita ao norte com a fronteira eslava e ao sul com o bloco etíope, (4) Oriente Médio, ou o subcontinente da índia, (5) Extremo Oriente, que é tudo o que fica a leste da grande dobra mongólica, que corre a nordeste da região de Pamir até o Amur; juntamente com a Indochina, a Indonésia e a Micronésia, (6) Austrália, com a Papuásia e a Polinésia, (7) América Latina, ao sul do Rio Grande, e (8) África etíope. Está visto que existe um sem-número de grupos humanos minoritários em cada bloco, ao passo que as populações indígenas de dois deles - América do Norte e Austrália - estão agora quase completamente extintas. É interessante notar que os ameríndios aborígines da América Latina exerceram profundíssima influência sobre os europeus que foram para os seus países, e que os australianos estão começando a mostrar uma distinção digna de nota, que se diria derivava, de algum modo misterioso, dos seus aborígines em vias de desaparecimento.

Cada um desses oito blocos principais possui um enfoque global da vida que é hoje inteiramente distinto, e cada qual parece olhar para o seu mundo, o mundo em geral, e a vida como um todo, de maneira notavelmente diferente. Além disso, há outra coisa. Existe realmente um "Oeste Ocidental", um "Oeste Central" e um "Oeste Oriental", em que a América do Norte, excetuando-se o fato de ter a mesma língua de um país do Oeste Central (isto é, o Reino Unido, ou Grã-Bretanha), difere tanto do Oeste Central em sua concepção quanto esse bloco difere do Oeste Oriental. Pondo-se de lado a política e a religião, os três "Oestes" (que são a América do Norte, a Europa Ocidental e a Europa eslava, ou Oriental) formam um bloco cultural composto, apesar das suas diferenças internas. Com efeito, como os três já estão na mesma cama, bem é que se decidam a deitar nela.

Se as autoras deste livro tivessem visitado qualquer bloco que não fosse o eslavo, é bem possível que não houvessem escrito livro nenhum, pela simples razão de que só naquela esfera cientistas e tecnologistas abordaram esses assuntos da maneira descrita neste livro. Até os australianos, que são caucasóides, têm um enfoque totalmente diverso, como acontece com os latino-americanos. Entre estes últimos existem hoje muitos estudiosos brilhantes que trabalham nesse campo, mas cuja abordagem sofreu, talvez naturalmente, a poderosa influência da maioria racial das suas populações, que ainda é ameríndia; uma raça que, excluídas as barreiras lingüísticas ainda existentes, são mentalmente quase incompreensíveis para qualquer ocidental. A África etíope aborda essas questões de outra forma ainda e também possui uma cultura incrivelmente antiga que, em sua maior parte, representa um mistério para os ocidentais. Os indianos e os habitantes do Extremo Oriente vêm tentando, há milênios, decifrar es mesmos misteriosos fenômenos naturais, cada qual à sua maneira individual, maneiras essas incompreensíveis para uma cultura baseada na tecnologia. Só os ocidentais do centro (isto é, os europeus ocidentais) formam uma ponte intelectual híbrida, mestiça, abastardada, entre todos os outros - com a possível exceção dos que habitam o Extremo Oriente.

Os assuntos que as autoras descrevem e discutem neste livro constituem o núcleo central de ampla série de investigações que nós, do Oeste Ocidental, e, em grande parte, os habitantes do Oeste Central, sempre trataram de cambulhada com outros assuntos, tais como o verdadeiro psíquico (segundo a definição do dicionário) e o cripto-espiritual, e que por isso mesmo permaneceram quase que totalmente ignorados por nós de um ponto de vista científico. Tais assuntos, como foram enumerados à página 7, foram simplesmente qualificados de "malucos" e, portanto, de indignos de uma investigação séria e até de consideração. Além disso, os que tentaram investigá-los cientificamente tiveram as suas asas rapidamente cortadas. Mas há ainda outro e mais triste aspecto: os cientistas sérios que teimaram em realizar uma investigação sólida, como aconteceu até com um autêntico erudito, a Dr. J. B. Rhine, caíram na velha armadilha ao proclamar que existe um fator espiritual (isto é, místico) envolvido nessas questões inteiramente pragmáticas, e que ele foi o primeiro a denominar para (semelhante no aspecto) psico (psíquico, veja o dicionário) logia (que significa o estudo de). Poderia alguma coisa ser mais mal escolhida? "Paranormal", se quisesse, mas por que equiparar esses descobrimentos com a psicologia, que não é uma ciência e talvez nem exista realmente per se, visto que não passa de rateios nos campos da etologia, do behaviorismo e dos processos mentais químico-físicos. O que os inventores dessa palavra queriam dizer realmente era "Parafísica", e se esta designação tivesse sido adotada desde o princípio, ter-se-ia eliminado o estigma dessa maldita palavra psico, e é possível que se houvesse iniciado alguma verdadeira investigação científica.

O mesmo se pode dizer, e até mais vigorosamente, em relação à expressão "Percepção extra-sensorial". Estes assuntos criptofísicos são, de fato, extra, estão fora do cripto-espiritual - isto é, psíquico - mas, na realidade, estão solidamente dentro do físico. Pior ainda, contudo, é o resto desse termo bobo. Por que apenas "percepção"? Ele inclui muito mais do que a simples percepção, além de "mandar" ou disseminar. Até SSP, ou percepção supersensorial seria melhor, mas isso também supõe um elo biológico necessário, ao passo que todas essas coisas provavelmente existem mesmo quando não há por perto nenhuma coisa viva - segundo a nossa definição de vida. Mas "ESP" tornou-se uma expressão destinada a chamar a atenção para o que nem a religião nem a ciência conseguem explicar; e tanto para o cripto-espiritual quanto para o criptofísico.

Separe o leitor os dois campos e terá, de um lado, assuntos que só pertencem à mente, como conceitos religiosos, matemáticos, ontológicos e os demais intangíveis, e, do outro, uma massa fervilhante de tangíveis como os que se descrevem neste livro e que são mais suscetíveis de investigação científica e tecnológica, bastando para isso que as iniciemos. O único mistério verdadeiro está em que ainda não os imobilizamos e em que, na maioria, não sabemos como funcionam, nem mesmo quais são os princípios que os regem, ao passo que, no campo biológica, ainda não encontramos os "órgãos" nos corpos vivos através dos quais operam. A esta altura, todavia, já devíamos ter o suficiente para convencer até os cientistas ocidentais de que eles não têm nada de místicos, espirituais e, muito menos, de "psíquicos".

É possível que, com o correr do tempo, e de um ponto de vista puramente histórico, tenha nascido exatamente assim à filosofia marxista - por mais inexata do ponto de vista biológico que ela fosse originalmente. Compreendam-me, por favor! Não estou equiparando estas coisas ao leninismo, ao estalinismo, ao maoísmo, ou a qualquer outro assunto político ou religioso. Não era apenas o pensamento "ocidental", senão também o oriental, o africano, o indiano e todos os tipos de pensamento que estavam começando a atolar-se no fim do século passado. Fazia-se necessária uma grande sacudidela. Ninguém está querendo ser malcriado mas, falando como biólogo, os conhecimentos cada vez maiores sobre o nosso meio e sobre nós mesmos estavam a exigir um descarte de inúmeras tradições. Certa ou errada, necessária ou não, a "revolução" intelectual é tão indispensável quanto a revolução biológica: e dói tanto quanto esta. É muito possível que, sem ela, como tantos milhões de outras espécies de criaturas vivas, nós já tivéssemos desaparecido.

Seja qual for à natureza destas considerações, o que quero dizer é que, em resultado do clima intelectual do seu bloco, os eslavos do Ocidente Oriental encararam "forteana" de maneira completamente diferente de nós, do Ocidente Ocidental; e os resultados, como se descrevem neste livro, serão provavelmente chocantes para todos os leitores do Ocidente Ocidental, e talvez capazes de abalar também alguns leitores do Ocidente Central! Por isso mesmo, continuem a ler.

IVAN T. SANDERSON

Colúmbia, Nova Jérsei

Janeiro de 1970

AGRADECIMENTOS

Confessamo-nos profundamente agradecidas aos muitos homens e mulheres atrás da Cortina de Ferro que nos ajudaram a escrever este livro. Por várias razões, alguns não puderam ser mencionados pelo nome. A toda essa gente e aos cientistas, os nossos mais sinceros agradecimentos e a nossa esperança de que, sejam quais forem as nossas diferenças políticas, o mundo da pesquisa psíquica possa ser testemunha de uma cooperação e uma amizade cada vez maiores entre os povos de todas as terras.

No Ocidente, endereçamos os nossos agradecimentos especiais a: Frances e John Adler; Jim Beal; John Cutten; Nick Daniloff; Douglas Dean; Marjorie e George de la Warr; Joan e Joe Foley; Eileen Garrett; Jaroslav Hosek; R. George Medhurst; Dr. Karlis Osis; Amanda e George Ostrander; Pat e Robert Pfeiffer; Dr. J. G. Pratt; Dr. J. B. Rhine e a Dra. Louisa Rhine; Dr. Milan Ryzl; Dr. Ivan T. Sandetson; Grace e Raymond Schroeder.

Agradecemos também particularmente a Benson Herbert e a The Journal of Paraphysics (Laboratório Parafísico, Downton, Wilts., Inglaterra) a permissão para citar trechos do relatório do Dr. Z. Rejdak, publicado no Vol. 2, N.° 3.
NOTA
Algumas cidades do Mundo Comunista em que se realizam pesquisas sobre fenômenos PSI e fenômenos correlatos. Muitas das principais cidades têm mais de um grupo de parapsicologia.

A URSS é formada de 15 Repúblicas Federadas, a maior das quais é a República Russa Socialista Soviética Federada, que inclui toda a Sibéria, bem como um grande trecho da parte ocidental da União Soviética.
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